Posts

Terça-feira, Junho 22, 2004

A Prova

Ele entrou em sua casa, muito grande e afastada, com um pé-de-cabra na mão. A primeira que viu foi a avó, assistindo televisão na cadeira de balanço. Ela não o viu, estava de costas para ele. Golpeou a cabeça da velha senhora, que caiu no chão, sem fazer nenhum som, já morta. Olhou-a de perto. Sim, estava morta.

Entrou na cozinha, onde a mãe terminava de preparar o almoço.

- Oi, meu filho! O que é isso aí na sua mão?

Golpeou a mulher na barriga, deixando-a sem fôlego, e depois na cabeça, certificando-se, também, de que estaria morta. Escutou o barulho do chuveiro ligado. Entrou no banheiro e viu seu pai dentro do box. Devia estar tomando banho para almoçar. Rapidamente, empurrou a porta e, sem que o pai mal percebesse, deu-lhe uma pancada com a ferramenta na cabeça. Ele caiu, ainda respirando. Teve que dar-lhe outra, para que não houvesse perigo. Subiu.

Dentro do quarto no final do corredor, estava o bebê, dentro do berço, dormindo. Olhou a criança, por alguns instantes, segurando a arma na mão. Decidiu soltá-la. Foi até a cama, encostada na parede, e apanhou o travesseiro. Apertou-o contra o rosto do bebê, deixando-o sem ar até matá-lo. Apanhou o pé-de-cabra e desceu.

Passou pela sala e saiu da casa, verificando, novamente, que todos estavam mortos. Do lado de fora do portão, ela o esperava. Passou pela garagem e foi até o encontro dela, com a roupa toda suja de sangue, mostrando a arma também ensangüentada.

- Pronto. E agora?

- Agora, eu acredito. Agora, eu sei que vou poder passar o resto da minha vida com você. Agora, sim.

E ela o puxou, beijando-o e abrançando-o com bastante força, sujando a roupa de sangue.

Postado por BRUNO DO VALE NOGUEIRA, em 12:19 AM
Comments:

Sábado, Junho 19, 2004

MINHA NOSSA!!!!!!

Eu estava lendo, hoje, uma revista antiga da Mônica, quando deparei-me com um cupom de uma promoção para ganhar uma pipa dos Palhaços Atchim e Espirro!!!
Quando vi áté me assustei!!! Nem me lembrava mais deles!!!



Eu não sei o que foi feito dessa dupla! Será que ainda estão na ativa? Se bem que, hoje, os palhaços já não fazem mais a alegria da garotada. Até porque muitos têm medo deles! Mas os coitados são tão inofensivos! Eles é que deviam ter medo das crianças, isso sim!

Outra coisa que eu vi: um comercial da revista do Palhaço Alegria! Lembram dele? Eu nunca fui de ler suas revistas, mas o que tinha de anúncio com ele quando eu era pequeno não era palhaçada.

Postado por BRUNO DO VALE NOGUEIRA, em 2:41 AM
Comments:

Domingo, Junho 13, 2004

Arnaldinho

Arnaldinho foi criado pela mãe e pelas irmãs mais velhas. Sempre foi muito mimado, não saia de casa nunca. Vivia trancado. Não tinha amigos, e brincou durante toda a infância apenas com as irmãs. Era perigoso brincar na rua, fora o fato de pegar uma doença qualquer. Era o único que tinha um quarto na casa só para si, pois era menino. Arnaldinho era totalmente obediente à sua mãe e suas irmãs, era motivo de orgulho na casa. Não falava com ninguém na escola: sempre uma irmã iria deixá-lo e buscá-lo, e no recreio isolava-se na classe, estudando, sem dar atenção aos amigos que tentavam chamar sua atenção.

O quarto de Arnaldinho era impecável, até porque, toda vez que desarrumava, era repreendido por todas na casa. O quarto, no segundo andar, possuía uma grande janela, a maior da casa, com uma excelente vista para a rua. Lá, Arnaldinho passava grande parte de seu tempo fazendo algo de que sua mãe e suas irmãs não tinham conhecimento: observava as crianças na rua, e tinha um interesse especial pelas meninas. Passava o dia observando-as. Examinava seus corpos, prestava atenção em seus gestos. Porém, havia uma pela qual ele tinha interesse maior: Ângela. Sabia o nome dela porque era sua vizinha e sempre brincava bem perto de sua janela. Escutava as amigas da menina gritarem seu nome.

Numa manhã, durante o café, Arnaldinho disse à todas reunidas na mesa: "Está na hora de eu arranjar uma namorada, não?" As irmãs entreolharam-se, cochichando de cara feia, e sua mãe deu o veredito:

- Na hora certa, eu arranjo uma namorada para você.

- Mas eu quero namorar a Ângela!

Todas se assustaram:

- Aquela menina? Mas nunca! Mas nunca!

Ele se levantou da mesa, muito bravo, aliás, bravo como nunca estivera, e subiu correndo para o quarto enquanto todas gritavam seu nome. Trancou-se. Elas ainda passaram mais de uma hora batendo na porta, mas ele não abriu. Depois de tudo calmo, olhou pela janela e viu Ângela saindo de casa. Arnaldinho desceu as escadas, silenciosamente, e conseguiu sair sem que ninguém notasse. Ângela já estava andando um pouco à frente, mas ele correu e conseguiu alcançá-la, perguntando se podia acompanhá-la. Ela ia sair sozinha e agradeceu a companhia. Conversaram bastante. Ela disse que o via pouco, mas o conhecia. Ele era só sorrisos. Conversaram à tarde toda. A afinidade foi recíproca, e ela o chamou para ir à sua casa no outro dia, à noite, pois seria aniversário de seu pai e eles fariam um pequeno jantar. Nessa hora, Arnaldinho estremeceu. Não se lembrava de um momento em que tivesse ficado tão feliz. Não dormiria pensando na noite seguinte. Ele e Ângela voltaram para casa juntos. A mãe de Arnaldinho o esperava na porta e o viu chegar com a vizinha. Sorriu para a menina forçadamente e abriu a porta para o filho. Brigaram, gritaram um com o outro. Ele ofegava de tanto ódio, ela professava sobre seu futuro maldito ao lado de Ângela. Numa certa hora, ele parou de esbravejar e só ouvia os gritos da mãe. Porém, ofegava. Decidiu trancar-se no quarto, para onde foi correndo. Ela continuou seus gritos do lado de fora da porta, mandava-o abrir. Ele não o fez. De hora em hora sua mãe batia, chamava, porém, ainda furiosa. Ameaçava-o. Mas ele estava determinado, e nada poderia desviá-lo. Foi buscar, no armário, um par de sapatos. Dentro de um dos pés estava um canivete, que ele havia roubado de um dos alunos da classe. Ninguém suspeitou dele. Se alguém, a partir daquele momento, tentasse impedí-lo de ver Ângela, iria ver.

Já estava ficando tarde. Arnaldinho dormiu e não abriu a porta. Sua mãe passou toda a madrugada do lado de fora do quarto, e continuava ameaçando-o. Cochilava de vez em quando, mas o aguardava. Chegou a manhã, a hora do almoço, a tarde, e Arnaldinho não destrancou sua porta. Só esperou. A fome era só um obstáculo. Esperou, esperou, esperou com a idéia fixa. Então, finalmente, chegou a hora. Ele trocou de roupa, perfumou-se, e ficou de frente a porta. O canivete estava guardado no bolso. Respirou fundo. Era agora: abriu a porta devagar. Em passos bastante lentos, chegou aos degraus da escada, que desceu, também, silenciosamente. Porém, ao chegar no último degrau, deparou-se com sua mãe.

- Filho!

- Mãe... eu vou até à casa da Ângela, eu vou...

- Eu sei, meu filho! Me desculpe... me desculpe! É claro que você pode ir! Me desculpe...


A mulher chorava pedindo desculpas, parecia extremamente arrependida e decidia a apoiar todas as decisões do filho.

- Eu posso ir agora?

- Pode, claro! E desculpa...

Enquanto andava em direção à porta, escutava a mãe pedir mais desculpas e desejar boa sorte. Ficou feliz. Era aquela a maneira como sua mãe deveria se comportar com ele. As irmãs também estavam sentadas na sala. Todas desejavam-lhe boa sorte rindo. Pegavam na mão dele, em seu braço, e desejavam-lhe boa sorte. Não poderia ficar mais satisfeito. Nervoso, chegou até a porta e, antes de girar o trinco, olhou para trás e viu todas as mulheres da casa com olhar de expectativa e de alegria. Finalmente, o seu momento também se tornou o delas. Finalmente. Agora estava mais feliz. Saiu em direção à casa de Ângela. Vagarosamente. Tremia-se, não conseguia controlar o sorriso. Estava ofegante. O rosto tremia com os sorrisos que escapavam. As mãos estavam suadas, muito suadas. Chegou à porta da casa de Ângela. Tentou acalmar-se, pelo menos diminuir a tremedeira. Pronto. Tocou a campainha.

- Já vai!

Era a voz dela. A porta se abriu:

- Oi Arnaldo...

Ele, com esforço, soltou:

- Oi...

- Arnaldo...


Ângela mudou sua expressão. Agora estava com a cara assustada, pálida.

- Arnaldo, o que foi isso?!

Ele também assustou-se. Não entendia.

- Arnaldo, por que você tá assim?

- Assim... assim como... você não gostou?

- Arnaldo, por que você tá todo sujo de sangue.

Ele deu um passo para trás. Olhou para a roupa. Sua camisa estava bastante ensangüentada, assim como suas mãos. Notou que o pescoço estava também. Começou a chorar, assustado. Notou que o bolso da calça também estava manchado. Era onde estava o canivete. Ele o tirou do bolso e a lâmina também estava toda suja de sangue. Quando viu o canivete nas mãos do rapaz, Ângela começou a tremer.

- Arnaldo! Que canivete é esse Arnaldo!

Ele tentou ir em sua direção e segurar seu braço.

- Ângela!

- Me solta, me solta!


Ela o empurrou e ele caiu no chão. Ele podia escutar seus gritos enquanto ela corria pela casa. Arnaldinho pôs as mãos no rosto e, como uma criança, começou a chorar.

- Mamãe...

Sim, devia Ter seguido os conselhos da mãe. Sua mãe nunca mentira. Foi burro, muito burro. Sabia que a mãe tinha razão.

- Mamãe!

Levantou-se e correu, chorando. Gritava pela mãe como uma criança que acabara de cair da bicicleta machucando o joelho. Chegou na porta de casa e abriu a porta. Ficou sem ar. A mãe estava caída perto da escada, com o corpo sujo de sangue, morta. Do mesmo modo, estavam suas irmãs espalhadas pela sala. Estavam mortas, com os olhos abertos, e todas pareciam condená-lo. Caminhou até o cadáver da mãe.

- Mamãe...

Abraçou-se com ela, chorando, chorando muito. Queria muito sua mãe, não devia Ter desobedecido-a, não devia. Tirou, novamente, o canivete do bolso. Desviava o rosto dos cortes feitos no corpo da mãe. Levantou-se. Tinha que fazer aquilo. Com a mão direita, cravou o canivete no pulso esquerdo, rodando-o. A dor era só um obstáculo. Fez a mesma coisa com o outro pulso. Com as forças que lhe restavam, passeou com o canivete pelo pescoço, ferindo-o. Enquanto, já caído no chão, esvaecia-se, ainda conseguiu escutar, vindo da rua, o barulho do carro da polícia chegando.

Postado por BRUNO DO VALE NOGUEIRA, em 1:57 AM
Comments:

Domingo, Junho 06, 2004

Mudança

A porta do quarto de Eulina estava trancada, apesar de não haver mais ninguém em casa além dela e do marido. Olhava-se no espelho, procurando coragem em si mesma. Tudo parecia condená-la: as paredes, os móveis, e até as malas prontas em cima da cama. Continuava a olhar-se no espelho, procurando ainda mais coragem. Ela não desistiria, mas estava com medo. Olhou pela janela, para ver se o carro que a esperava ainda estava na calçada. O moço sentado no banco do motorista, ex-namorado e vizinho de adolescência, agora rico, balançou a cabeça em sinal de afirmação e sorriu. Era o que ela precisava. Com as mãos ainda sujas devido ao preparo do almoço, ela pegou o revólver do marido, gurdado na gaveta da penteadeira, e foi até o banheiro, onde o dono da arma estava tomando banho com o rádio nas alturas, tocando aquele tipo de música que ela detestava. Atirou-lhe no peito, e depois na testa. Correndo, apanhou as malas e entrou no carro. Antes do veículo sair dali o mais rápido possível, o moço deu nela um beijo, que parecia ter gurdado por toda a vida, e ela sorriu, enquanto girava no dedo, nervosa, o brilhante recém-ganho, e checava, no porta-luvas, se as passagens de avião estavam mesmo ali.

Postado por BRUNO DO VALE NOGUEIRA, em 12:09 AM
Comments:


PERFIL

Meu nome é Bruno, tenho 18 anos, moro em Fortaleza, faço Comunicação Social - Publicidade na UFC. Meu e-mail é: bastiandv@hotmail.com

LINKS:
Ameliee
Bruno do Valle
Cidade do Sonho
Coliformes Textuais
Doutor Fantástico
Dramarc
Gaveta das Calcinhas
Jornal-Diário
Momentos de Epifania
Mundo de Sam
O Povo Fala!!!
O q me irrita
Os Canastras
Sarapateu
Templum
Textos Podres
Textosterona

Meu fotolog
/cmarcelo
/icehawk
/id_01
/mairabah
/mariasamara

Devaneios

Arquivo